Isso é quase como uma fossa, se você descer um pouco mais a cada dia, qualquer hora estará no fundo, e no fundo é mais difícil voltar à superfície, no fundo a dor rasga a carne e penetra fundo na alma, porém de uma coisa agora você sabe, no fundo as feridas já estavam todas abertas e somente quem não sabia disso era você.
A pior parte é quando você passa a saber que não está bem, que tua insanidade está batendo com toda força à sua porta mais uma vez, gritando que vai assoprar até seu emocional abalar, então a insanidade assopra uma, duas e na terceira você nem vê e ela logo invade, invade teu corpo, mente e alma, destrói o pouco de sanidade que cultivou com o tempo, e atrapalha sua vida inteira novamente.
Então sem escapatória você começa a procurar válvulas de escape, você busca e experimenta todas que lhe são convenientes neste momento, e assim com estas válvulas você se acomoda à sua vida do jeito que ela estava, mesmo sem sanidade alguma você tem certeza que está bem, depois dessa não demora muito e você vai para o fundo da fossa novamente, mas desta vez a fossa tem mais 5 km de extensão, logo você pensa: "simples só aumentar sua dose de válvula de escape", e até você se dar conta de que ela não é a cura mas sim a maquiagem, para parecer doer menos enquanto está no corpo, você vai levando assim, com a barriga, sempre na crescente de doses e dores, aumentando cada vez mais a extensão da fossa para a sua queda mais esplêndida: a morte, e esta podendo ser por overdose, suicídio, ou por uma infinidade de fatalidades. O descanso, o descanso que tanto pedira chegará e será hoje, agora já mais contente e aliviada você caminha em uma marcha fúnebre até a forca que pendurou no meio do seu quarto por saber que este dia iria chegar, e sem despedidas você põe o pescoço e começa a sentir teu descanso chegando aos poucos, suspira pela última vez e no dia seguinte ou talvez após 3, a polícia vem e leva seu corpo, sem nenhuma carta, eles mal desconfiam que você foi apenas mais uma das vítimas do sistema que eles protegem.
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